Uma empresa de educação que oferece currículo e capacitação de professores na África Ocidental, passando a transmitir aulas pelo rádio durante a pandemia de COVID-19.

O rádio — um meio movido a pilhas, já presente em todos os lares e custando a partir de US$ 5 — poderia oferecer educação estruturada a estudantes sem internet ou computadores.

Em março de 2020, os confinamentos da COVID-19 fecharam escolas em toda a África Ocidental. George Cowell, diretor internacional da Rising Academy Network, decidiu produzir aulas pelo rádio em parceria com o Ministério da Educação da Libéria, montando um estúdio improvisado com papel higiênico para absorver o eco.

A Rising gravou aulas de 26 minutos cobrindo numeracia, alfabetização e fonética, produzindo até 10 aulas por dia com dois gerentes de desempenho que moraram no estúdio por mais de quatro meses. O governo liberiano transmitiu em 38 estações de rádio nacionais e comunitárias. O conteúdo foi produzido em cinco dias, em vez dos cinco meses esperados. O currículo incluía um jingle sobre a COVID-19 e um número para envio de mensagens de texto. A Impact Network adaptou as aulas para a Zâmbia, traduzindo os roteiros para nyanja e transmitindo entre 13h e 16h para atender às comunidades agrícolas.

O rádio já estava presente em quase todos os lares da África, custando a partir de US$ 5 e funcionando com pilhas, muito mais acessível do que tablets para estudantes rurais sem eletricidade.

A Rising produziu conteúdo em cinco dias, em vez dos cinco meses esperados, provando que soluções de baixa tecnologia podem superar as de alta tecnologia quando a infraestrutura é a limitação.

O modelo se baseou na experiência anterior da crise do Ebola de 2014, quando nações da África Ocidental usaram aulas pelo rádio para manter as crianças na escola durante emergências de saúde.

O currículo radiofônico era adaptável ao contexto: a Impact Network trocou exemplos de maçãs por mangas na Zâmbia e traduziu os roteiros para nyanja.

Quando a infraestrutura de internet falha, recorra às tecnologias negligenciadas que já estão nas mãos das pessoas — no caso da África, um rádio a pilhas de US$ 5 alcançou milhões de estudantes que nenhum tablet jamais alcançaria.

Em dezembro de 2020, as aulas pelo rádio da Rising Academy Network ainda estavam sendo transmitidas em toda a África Ocidental, com planos de continuar durante as férias escolares. O governo liberiano havia integrado o rádio à sua infraestrutura educacional, e o modelo se espalhara para a Zâmbia por meio de parcerias com a Impact Network. Os estudantes demonstraram engajamento — 58% em Serra Leoa sintonizavam cinco dias por semana.

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As fontes

  1. Why radio stations may be the real "e-learning" revolution Rest of World · restofworld.org ·