A Mottu aluga motocicletas para entregadores de aplicativos no Brasil e no México, com seguro, manutenção, suporte 24 horas e autoescola incluídos, por diárias em torno de R$ 18–28; a telemetria instalada de fábrica permite rastrear cada moto e bloqueá-la remotamente caso o locatário pare de pagar.
A aposta
Entregadores de aplicativos com crédito ruim alugariam motocicletas rastreadas semanalmente em vez de comprar — e o bloqueio remoto tornaria a inadimplência rara o suficiente para financiar a frota com dívida.
Poupança do próprio fundador mais anjos iniciais (Ariel Lambrecht, da 99, e David Vélez, do Nubank); Série A de US$ 20 milhões (2021); Série B de US$ 30 milhões em equity + US$ 10 milhões em dívida (junho de 2022, liderada por Base Partners/Crankstart, com Tiger Global em ambas as rodadas); R$ 400 milhões em debêntures (abril de 2025).
Rubens Zanelatto, ex-ALL logística e WPG Investimentos, fundou a Mottu no início de 2020 com 200 motos em São Paulo depois que o mentor Paulo Veras (cofundador da 99 Táxi) lhe disse que o mercado só acreditaria no modelo com 100.000 motos alugadas; o cofundador da 99, Ariel Lambrecht, e o fundador do Nubank, David Vélez, foram anjos iniciais. Ao final do ano, tinha 1.000 motos e US$ 2 milhões de ARR.
Uma Série A de US$ 20 milhões no início de 2021 financiou o crescimento da frota e da área geográfica, além de um serviço de entrega própria usado por mais de 1.000 varejistas. Em junho de 2022, a Mottu levantou US$ 30 milhões em equity na Série B (Base Partners e Crankstart colideraram; Tiger Global nas Séries A e B) mais US$ 10 milhões em dívida da Verde Asset, chegando a 10.000 motos em oito cidades brasileiras e na Cidade do México, US$ 10 milhões de ARR (5x em 2021) e, segundo o fundador, inadimplência zero graças ao bloqueio remoto. Em abril de 2025, o Pipeline Valor noticiou R$ 1 bilhão de receita recorrente anual com 100.000 motos alugadas, geração de caixa positiva, uma licença de sociedade de crédito do Banco Central, um piloto de microcrédito e um produto de BNPL planejado, além de uma emissão de R$ 400 milhões em debêntures que atraiu o dobro da demanda.
Escala: em agosto de 2025, a Mottu tinha cerca de 130.000 motos (ante ~70.000 um ano antes) em mais de 120 cidades brasileiras e no México e, em 1º de setembro de 2025, lançou um programa de aluguel com o iFood — desconto de até 20% no depósito, diárias de R$ 18–28, assistência 24 horas e até R$ 350/mês em recompensas para entregadores. Está avaliando seis mercados fora da América Latina, mira 1 milhão de motos/clientes e diz que um futuro IPO daria saída aos acionistas institucionais.
A Mottu apostou que a restrição decisiva para o boom de entregas na América Latina era a motocicleta acessível — entregadores com crédito ruim não conseguiam comprar, arrendar ou financiar uma, então nunca se tornavam entregadores.
Tornou o ativo seguro para credores: telemetria, bloqueio remoto e um depósito produziram inadimplência quase nula, permitindo à Mottu financiar uma frota de 130 mil motos com dívida em vez de equity dilutivo.
O modelo se compõe: com mais de 100 mil motos, pôde ler dados de uso, obter uma licença de sociedade de crédito do Banco Central e emprestar de volta aos mesmos entregadores que os bancos haviam rejeitado.
A escala virou a prova: a marca de 100 mil motos de Veras foi superada em abril de 2025 e a Mottu continuou crescendo até ~130 mil em agosto — exatamente o marco que o mercado dizia que legitimaria o negócio.
Quando seu cliente não pode comprar, venda acesso: telemetria e bloqueio remoto transformaram uma base de locatários de 'crédito ruim' em um ativo financiável por dívida, e o próprio ativo virou a garantia.
Em 1º de setembro de 2025, quando o programa de aluguel com o iFood entrou no ar, a Mottu está em escala: cerca de 130.000 motos alugadas em mais de 120 cidades brasileiras e no México, mais de R$ 1 bilhão de receita recorrente anual, geração de caixa positiva e uma frota financiada por dívida, respaldada por uma emissão de R$ 400 milhões em debêntures com demanda duas vezes maior que a oferta. Detém uma licença de sociedade de crédito do Banco Central, com microcrédito e BNPL em desenvolvimento, avalia seis mercados fora da América Latina e diz que não precisa de mais private equity antes de um potencial IPO. Riscos em aberto: regulação do trabalho em plataformas e incentivos à velocidade de entrega; a meta é 1 milhão de motos e clientes.
CONFIRA AS EVIDÊNCIAS
As fontes
- Mottu secures $40M to help Latin Americans become couriers TechCrunch · techcrunch.com ·
- Mottu bate R$ 1 bilhão com 100 mil motos, mira expansão global e entra em crédito Pipeline Valor · pipelinevalor.globo.com ·
- iFood e startup que aluga motos anunciam desconto para entregadores Agência Brasil · agenciabrasil.ebc.com.br ·